quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

É preciso ter paciência...

Depressão é uma doença física como outra qualquer, só que desorganiza as reações emocionais. É difícil de ser diagnosticada porque os seus sintomas podem ser confundidos com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade ou interpretado como fraqueza ou falha de caráter. Muita gente diz que está "deprê" ou deprimida, quando apenas está chateada, estressada ou porque se desentendeu com alguém. Independente do estado de espírito, até o ser mais iluminado perderia a paciência ou se chatearia numa briga de trânsito, falta de grana, doença na família, perda de um ente querido, desemprego, crise conjugal e etc... Isto é comum na vida das pessoas, oscilamos o nosso humor diariamente. Só que depois de um curto período de tempo voltamos ao normal, sem grandes dramas, correndo atrás do prejuízo. Já uma pessoa deprimida ou com predisposição, às vezes com uma chateação corriqueira, pode ser nocauteada e cair num abismo sem fim ou então, ser mais resistente, mas numa crise braba também vai pro abismo. Por que é assim mesmo que se sente um deprimido. Uma pessoa sem perspectiva de vida, pessimista, desanimada, que não vê graça em nada a não ser no seu isolamento. Na realidade este desânimo perante a vida não é falta de atitude e sim um mau funcionamento cerebral. Porque embora muitas pessoas achem que depressão é frescura, ela é uma doença, um desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores (mensageiros químicos do impulso nervoso) responsáveis pelo controle do estado de humor. A dopamina e serotonina são neurotransmissores que estão muito associados ao estado afetivo das pessoas. A serotonina está ligada a sentimentos de bem estar ou mal estar. Ela regula o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo cardíaco, as funções neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade à dor, atividade motora e funções cognitivas. A dopamina está associada à sensação de euforia, entusiasmo e prazer. Esta regula o controle do movimento, da percepção e da motivação. Na depressão a dopamina, serotonia e outras substâncias químicas como a noradrenalina, ácido gama-aminobutírico e aceticolina ficam alterados, desorganizando o estado de humor, as emoções, capacidade mental e o bem estar geral do organismo.
Após um período de tristeza, a pessoa esmorece e fica "isolada do mundo". Não sente vontade de reagir, não acha graça em nada, se sente angustiada, sem energia, chora à toa, tem dificuldade para começar uma tarefa, dificuldade em terminar o que começou, persistência de pensamentos negativos e um mal-estar generalizado: indisposição, dores pelo corpo, insônia ou sonolência, alterações no apetite, falta de memória, concentração, vulnerabilidade, fraqueza, taquicardia, dores de cabeça, suores ou outros sintomas físicos que joga a pessoa pra baixo.Os médicos acreditam que a depressão é um fator genético, pois aparecem em algumas famílias e em gêmeos também. A depressão também pode ocorrer depois de uma situação estressante ou de perda. É comum sentir-se triste, desesperado numa crise financeira, separação ou morte de um ente querido. Também é normal se sentir fragilizado após uma situação estressante como um assalto, estupro ou seqüestro. Esta tristeza e medo tende a passar depois de um período de duas semanas a seis meses, depois disto a vida vai entrando nos eixos. Só que às vezes a pessoa não consegue reagir e esta tristeza se transforma em depressão, principalmente nas pessoas com predisposição à doença. Existem também algumas doenças físicas que podem causar depressão: esclerose múltipla, derrame, hepatite, hipotireoidismo, apnéia do sono, hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes.
Como qualquer outra doença física, o tratamento da depressão é feito depois de uma avaliação física e psíquica por um médico psiquiatra. O tratamento inclui o aconselhamento psiquiátrico e os remédios antidepressivos, que regulam a química cerebral. Às vezes a medicação precisa de ajustes, ou tem um efeito colateral incômodo. Por isso é importante a visita periódica para a avaliação médica e o ajuste ou troca do medicamento. Uma vez restaurada a química cerebral a depressão tende a melhorar e fica mais fácil erguer a cabeça e tomar uma atitude perante a vida. Mas é importante ressaltar que apesar da melhora o tratamento ainda vai continuar por um prazo indeterminado, sob a avaliação do psiquiatra. Além da medicação é importante a psicoterapia e muita força de vontade para correr atrás dos seus sonhos , o apoio da família e dos amigos Quanto mais amparada a pessoa estiver, melhor será o processo de cura.
Não é fácil, nem pra quem sofre da doença, nem pra quem convive com ela. É preciso ter paciência e muito amor.
A vida está aí pra ser vivida. O negócio é respirar fundo, se cuidar e ser feliz.
Enfim...

2 comentários:

Samuel Quintans disse...

Muito bom o texto! Completissimo!

Faltou falar apenas sobre a euforia causada pelo uso dos medicamentos (ilusão de melhora)

E que a grande maioria dos pacientes abandonam o tratamento e acompanhamento médico antes do restabelecimento.

Por isso sempre é bom:
a) confiar no seu médico
b) manter o equilibrio
c) confiar na consciência
d) consultar alguem próximo quanto ao estagio que se encontra (visão de fora)
e) Ser humilde para pedir e aceitar ajuda
f) Autorize alguem de sua confiança a agir com rigor, se necessário

Um beijo

Te amamos!

Helen disse...

Como diz o Lu, ando assistindo muito Dr. House! ahuahuahauhua